domingo, 12 de fevereiro de 2017

Dia 7: Batalha a Coimbra

Saímos de Batalha e chegamos em Coimbra por volta das 11 horas da manhã. Coimbra fica a mais ou menos 90km de Batalha. E Fomos direto para o nosso hotel: Residencial Antunes, uma pensão que não tem nada do charme da Casa do Outeiro em Batalha. Muito pelo contrário! Este residencial combina com Coimbra: tudo é velho!! E ainda ficamos no segundo andar com 4 lances de escada para subir com as malas! 
Com o mapa da cidade em mãos, fomos rumo a universidade que fica perto do nosso residencial na cidade alta. Passando pelos predios das faculdades de Medicina, Ciências e Tecnologia e Letras, chegamos ao pátio central da universidade, onde está ....a faculdade de Direito, a capela ... e a Biblioteca Joanina. Tiramos a tradicional foto na escadaria da faculdade de direito. A visita à capela e a biblioteca fica para o próximo dia. 
Saindo da universidade passamos pela Sé Nova, pela Sé Velha. No trajeto até a parte baixa da cidade, descemos algumas escadarias, inclusive uma denominada Quebra Costas. A pavimentação da cidade é toda de pé de moleque. Saímos desta parte da cidade pelo Arco da Almedina. 
Como já era hora de almoço nos indicaram o Solar do Bacalhau, onde comemos um bacalhau assado no azeite com batatas assadas, acompanhado de um vinho do Dão. Delicioso!!!
O rio Mondego corta a cidade. Caminhando ao largo do rio, atravessamos para o outro lado para chegarmos a Quinta das Lagrimas, cenário da história trágica de amor entre Inês e Pedro. A Quinta é hoje um hotel e não se pode entrar. Mas épossivel visitar as fontes do Amor e das Lagrimas, pagando-se, obviamente. 

Existe um ditado popular que assim diz: "agora Inês é morta". No entanto a maioria das pessoas não conhece a linda e trágica história de amor por trás dessa expressão. Foi durante o século 14 que aconteceu em Portugal uma clássica história digna de ser imortalizada por Shakespeare, pois trata-se de um "Romeu e Julieta" lusitâno. Pedro era o filho do rei de Portugal, herdeiro do trono e Inês uma aia que venho acompanhando a princesa espanhola D. Constança Manuel, futura esposa de Pedro. Mas por acidente do destino Pedro e Inês de Castro acabam se apaixonando e iniciando um romance, dando início a um grande drama político. O rei não teve outra alternativa a não ser mandar exilar Inês no Castelo de Albuquerque na fronteira castelhana. Mas,  apesar da distância entre casal , o amor entre eles não se desfez. Algum tempo depois D. Constança faleceu durante o parto e então viúvo, Pedro fez com que Inês regressasse e foi viver com ela na Quinta das Lágrimas, aqui em Coimbra, causando um grande escândalo na corte. Juntos Inês e Pedro tiveram quatro filhos, o que só agrava a situação política e o desagrado popular. O pai de Pedro tentou de diversas maneiras separar o casal. Tentou, inclusive, arrumar um novo casamento para o príncipe, que recusou veementemente. Pressionado pela corte, o rei D.Afonso IV manda executar Inês de Castro para dar fim ao problema de uma vez por todas. Foi durante uma viagem de caça de D.Pedro que o assassinato aconteceu. Reza a lenda que foram as lágrimas derramadas por Inês durante a sua morte que deram origem a fonte dos Amores localizada nos fundos da Quinta das Lágrimas e a todas as lendas que envolvem essa história. Há, ainda um fato bem curioso sobre essa história: à beira do pequeno lago que lá há, observam-se fungos vermelhos no fundo, que juram ser o sangue dela que lá ficou durante todos estes séculos. Lendas à parte, o fato é que estes ditos fungos já foram estudados por cientistas de diferentes universidades e até onde se sabe eles existem apenas ali nessa pequena parte do lago. Com a morte de Inês aparentemente a história do casal teria fim, mas na realidade ela só estava começando. Algum tempo depois, o próprio rei faleceu tornando-se Pedro então o novo rei de Portugal. Após ser coroado, ele iniciou uma caçada aos assassinos de Inês. Não satisfeito, Pedro em sua última homenagem ao seu grande amor, mandou que desenterrassem Inês, que a vestissem com os trajes reais e a coroou rainha mesmo depois de morta, obrigando que toda a corte beijasse a mão daquela que tanto desprezaram. Por isso a frase que até hoje persiste, pois diziam  para ele: " Pedro, agora Inês é morta!". Depois disso, mandou que construissem  no Mosteiro de Alcobaça um magnífico túmulo onde seus restos mortais descansam. Os dois tumulos estãoum em frente ao outro para que, segundo a lenda, possam olhar-se nos olhos quando despertarem no dia do juízo final. Toda essa história foi imortalizada pelo poeta Camões. 

Da Quinta das Lágrimas retornamos a cidade baixa. Para descansar de toda essa caminhada, paramos em uma pastelaria para descansar, e comer um pastel de tentúgal, doce de ovos parecido com pastéis de santa clara. No caminho de volta à cidade alta, passamos pela igreja de Santa Cruz, onde estão enterrados os primeiros reis de Portugal. Nela há um orgão bem grande que fica em sua lateral. Finalmente chegamos à praça da república, reduto dos estudantes, antes passando pela loja  A Toga que vende os trajes e acessórios que os estudantes universitários usam como as famosas capas pretas. Aqui sentamos e tomamos um chopp no bar Acadêmico, antes de retornar ao hotel, já noite.

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